Sport Recife

De contestado a amado: volante deixa tempos de
De contestado a amado: volante deixa tempos de "Ruinthely" no passado
  • 14:14

De contestado a amado: volante deixa tempos de "Ruinthely" no passado

Volante é principal destaque do Leão na Série A, mas relação com torcida nem sempre foi amigável; em alta, pelo menos no momento, saída não encanta jogador

Em mais de quatro anos, o volante Rithely pode dizer que viveu tudo no Sport. Na parte coletiva, conquistou títulos e acessos para a Série A, mas tem a mancha de um rebaixamento para a Série B na conta. No individual, foi perseguido, mas nos dias atuais é um dos principais pilares da equipe com boa campanha na Série A 2015. Antes chamado de Ruinthely sem pudor, pela torcida, o maranhense, de 24 anos, é figura essencial no esquema do técnico Eduardo Baptista. Com tanto sucesso, se alguém tem receio da saída do atleta para outro clube do Brasil, uma informação: no sábado, contra o Joinville, ele completou sete partidas pelo Leão, o que impossibilita uma transferência este ano - pelo menos no futebol brasileiro. 

Quem vê Rithely ovacionado nos jogos na Ilha do Retiro e regendo a torcida, como após o jogo contra o Goiás, cantando músicas das arquibancadas, não imagina a perseguição sofrida num passado recente. O apelido "Ruinthely" era uma das pechas que tinha de conviver. 

As pessoas falavam nas ruas, mas eu deixava para lá. E procurava não ler as coisas na internet (sobre apelido)

Autor

Contratado pelo Sport em maio de 2011 para a disputa da Série B, Rithely foi uma indicação do técnico Hélio dos Anjos. Os dois tinham trabalhado juntos no Goiás, onde ele foi revelado. Fã desde a época do Esmeraldino, Hélio segue admirando o jogador. Há duas semanas, no Recife para jogar contra o Sport, afirmou que o pupilo era o melhor volante do Brasil na atualidade.

Já são 202 jogos com a camisa do Sport. E Rithely aponta esta fase como a melhor da carreira. Como profissional, atuou pouco no Goiás antes de se transferir para o Leão, onde tem uma vasta sequência como titular. No ano passado, despertou o interesse do Internacional. A negociação não andou e ele renovou o contrato até o mês de maio de 2017 com o Leão.

- Estou conseguindo fazer boas partidas. Estou sendo consistente na marcação e conseguindo dar passes. Estou muito feliz por isso - disse ele, que tem duas assistências para gol nesta Série A do Campeonato Brasileiro.

Os momentos ruins e o apelido da torcida

Com a boa fase, Rithely está rindo à toa. Titular absoluto desde o ano passado, não se empolga com o atual momento por saber das voltas muito rápidas dadas pelo futebol. Com ele foi assim. O começo no Sport não foi dos melhores e acabou levando um apelido cruel como presente.

- Sou muito tranquilo quanto a isso. As pessoas falavam nas ruas, mas deixava para lá. E procurava não ler as coisas na internet. Não olhava naquele momento ruim e também não fico olhando agora. É claro que gosto quando um torcedor me elogia na rua, mas sou bem ciente do que ainda preciso fazer.

A virada e a inspiração em Pirlo

Rithely não sabe quando passou a ser imprescindível no Sport, mas relembra uma conversa com o técnico Eduardo Baptista. Foi ali que começou a pensar no futebol de uma forma diferente. Segundo ele, o treinador o chamou para um papo no início deste ano e mostrou vídeos do meia Pirlo, da Juventus.

- Ele me mostrou alguns lances de Pirlo e uns lances meus, mais ou menos no mesmo lugar do campo. Ele mostrava a forma como Pirlo fazia e como ele já sabe o que vai fazer com a bola. Eduardo pediu para sempre tentar antever a jogada e, às vezes, já estou de costas e já sei onde estão nossos jogadores Não fico só olhando para a bola para não perder tempo.

Rithely rege a torcida do Sport durante o último jogo, contra o Joinville (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

 Além do técnico Eduardo Baptista, Rithely sabe que a torcida foi fundamental nessa mudança de status que ele viveu dentro do elenco do Sport.

- Lembro que eles cobravam muito que melhorasse o passe. Falavam que errava demais e comecei a pensar. Vi que errava mesmo e que eles tinham razão. Era falta de concentração. Parei de me precipitar e agora um amigo me disse que estou entre os cinco jogadores da Série A que mais acerta passes. A torcida me ajudou nisso. Sem eles nada teria acontecido.

Futuro: exterior e seleção brasileira

A boa fase do Sport e as atuações positivas de Rithely nos jogos disputados nesta temporada geraram um receio no torcedor Rubro-Negro. A escalação no jogo do último sábado, contra o Joinville, foi um alívio. Ele completou a sétima partida e não pode mais atuar por outro clube no Brasileirão. O medo de perdê-lo para o futebol de fora do Brasil persiste. Mas Rithely tranquiliza todo mundo.

saiba maisVolante Rithely se consolida como arma secreta do Sport em bolas aéreasRithely credita boa fase no Sport a melhora no fundamento do passeVice-líder nas assistências, Sport tem "armadores" em todos setores do timeRithely vive lua de mel com torcida do Sport e se torna referência do time

- Tenho contrato até 2017 com o Sport e quero cumpri-lo. Uma coisa que eu sonho muito é conquistar um título grande aqui e ficar marcado como Durval e Magrão. Quando tiver 70 anos, quero mostrar aos meus filhos e netos as fotos do que conquistei aqui. Não tem dinheiro ou fama que compre isso. Quero ficar marcado no Sport.

 Sobre a seleção brasileira, Rithely parece não se deslumbrar. Nas redes sociais, a torcida do Sport cobra uma convocação do volante para o time do técnico Dunga, mas ele adota cautela para não se desconcentrar no que precisa fazer com a camisa do Leão. Nos bastidores do clube se comenta que a Confederação Brasileira de Futebol está de olho no jogador.

- Quero entrar em campo e fazer o que sei. O futebol é a minha vida. Sei que as oportunidades irão surgir se eu for bem. Não fico ansioso pensando nisso. As pessoas estão olhando cada jogo que vou bem pelo Sport e aí a oportunidade pode aparecer.


Fonte: GloboEsporte.com